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A cama, perguntas de retórica...

por Elvis o Gato, em 26.10.11

 

 Ontem quando tentava dormir, fui arrancado dos braços de morfeu com as perguntas da Dona das Chaves. Um gato não pode querer dormir quentinho e abafadinho sem que ela se ponha com perguntas de retórica, cuja resposta é mais que óbvia. Mas porque raio as mulheres gostam tanto de fazer perguntas para as quais já sabem a resposta? Então perguntava-me ela, porque é que nós gatos gostamos tanto de cama? Lá começámos os dois num diálogo que foi mais ou menos isto:

D.Ch. "_Porque é que os gatos gostam tanto de cama?"

E.G. "_ Talvez pelos mesmos motivos que os humanos?"

D.Ch. "_Nós gostamos da cama, porque serve para descansar depois de um dia de trabalho, ou para partilhar com aquela pessoa..."

E.G. "_Então e nós fazemos o quê na cama? Descansamos, obviamente."

D.Ch. "_Mas os gatos, têm os sofás, os parapeitos das janelas, os móveis para onde sobem e deitam abaixo os bibelots para se deitarem, e mal têm oportunidade esgueiram-se para a cama. Quando te chamo e não apareces, sei logo que estás na cama, debaixo do edredon."

E.G. "_Experimenta dormir em cima da cómoda uma tarde inteira...Experimenta dormir a maior parte do dia, e no sofá... Vocês humanos, separam-nos das nossas mães, quando temos 2 meses, ainda somos uns gatinhos com tanto para aprender. Trazem-nos para casa, e põe-nos um caixote com areia, comida e água, e uma cesta supostamente confortável para dormirmos. Deixam-nos sozinhos durante grande parte do dia, quando mais precisamos. Depois chegam a casa, e querem festas do gatinho, abafam-nos com mimos e esperam que façamos o mesmo. Começam a levar-nos até ao sofá, e depois pegam em nós e colocam-nos em cima da cama, para experimentar se o gatinho gosta e se porta bem. Depois deste comportamento vosso, esperam o quê? Que não gostemos da cama? Claro que gostamos e muito. Adoramos o vosso edredon, as vossas mantas quentinhas, os vossos pijamas fofos."

D.Ch. "_ Quando o fazemos, não é com intenção de vos cedermos todo o espaço disponível, e vocês fazem-no, açambarcam todo o espaço, e empurram-nos borda fora."

E.G. "_Não é com intenção! Quando estás a dormir, pensas que não me empurras para a borda da cama? Porque achas que te acordo a meio da noite, para me deixares ir novamente para debaixo do edredon? Porque me empurraste, aproveitei para ir trincar qualquer coisa, e voltei para a cama. Se bem te lembras a culpa de eu gostar de cama é tua. Eu ainda era bem pequeno, nem sequer chegava lá, quando pegaste em mim e me deitaste na tua cama. Eu gostei e passei a querer lá estar mais tempo. Só que para conseguir chegar lá, tinha que me pendurar e trepar pelo edredon, mais parecia que ia escalar o Evereste sem máscara de oxigénio. Chegava cansado, mas trepava, e fui crescendo e deixei de trepar começou a ficar mais fácil saltar para cima da cama e enroscar-me debaixo do edredon. Se não estás em casa, gosto de estar lá com o espaço todo para mim. À noite, é porque gosto da tua companhia, gosto de me encostar a ti, és minha melhor amiga."

E pronto lá se deixou dormir com tanta conversa, e eu depois também dormi, mal diga-se, porque ela deve ter tido algum pesadelo, levou a noite a voltar-se para um lado e para outro e acordou meio rabugenta. Tivesse ido mais cedo para a cama, e não tivesse ficado ali, a cansar-me com perguntas de resposta óbvia, a gastar tempo de descanso, o dela, e o meu...

 

Legendas: D.Ch. - Dona das Chaves

               E.G.   - Elvis o Gato (eu)

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Quem por cá mete os bigodes...

por Dona das Chaves, em 18.09.10
Eu sou o gato da futura dona das chaves, ou pelo menos é o que ela diz. Já a conheço vão para mais de 50 anos, quer dizer, em anos de gato, porque em anos humanos são 12 anos. Fui escolhido mal nasci, era ainda uma criatura completamente desprovida de qualquer sentido de discernimento, logo nem tive qualquer hipótese de me opor, ou até recusar. Quando ela me trouxe, eu vinha mal dos olhos, com uma infecção que me fazia ter um ar completamente "ranhoso", mas ela resolveu que me ia curar, e curou, só que à custa de um xarope tão bera que me fazia espumar e babar, até se me acabarem os fluidos. Lá me curei, mas daí para cá, não consinto que me dêem medicamentos por via oral, logo sou quase sempre sacrificado por via "injeccional". Eu era um gatinho muito comilão, mas ela sempre me tentou fazer comer só o necessário para que eu não ficasse enooooorme, o que só deu meio resultado, porque eu fiquei graande e gooordo :)
Também era meio arisco, meio meigo, só com o passar dos anos me fui aprimorando e ficando como sou hoje, um gato grande, gordo, e lamechas. No início ela tinha um namorado, que era uma perfeita inutilidade, preguiçoso, até mesmo violento, e eu sempre me tentei meter entre os dois, fazê-la perceber que o gajo não valia nada. Um dia, ainda eu era jovem, eles acabaram, ( não sei se a minha influência contribuiu ou não) e gostei da atitude dela, manteve a cabeça levantada, e seguiu em frente com a vida, e com os seus sonhos, sendo o maior deles ter a sua casa, a sua independência. Desde sempre a ouvi falar deste sonho, desde sempre me confidenciou que um dia, iríamos ter uma casa só nossa, e eu sempre desejei que o sonho dela, que passou a ser também o meu se realizasse. Tem sido persistente na busca do seu sonho, mas hoje fico por aqui nos meus relatos, haverá muito tempo para vos falar de mim, e da minha dona, a futura dona das chaves.

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