A visão da dona das chaves de um apartamento t1, solteira na casa dos 30 e uns anos, e do seu gato, gordo que nem um texugo, já com alguma idade, ambos às voltas com a decoração da casa e tudo o que uma casa para dois envolve, agora com mais uma gata

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Ago 11

imagem retirada da internet

 

O que são 5 anos? Tudo depende de quem pergunta, tudo depende de quem são os 5 anos... Na minha vida, 5 anos foram o tempo que demorei a encontrar-me, a cair, a reerguer-me qual Fénix renascida, e a chegar ao dia de hoje, em que nem sou essa tal Fénix, mas também não voltei a cair. Passei maus e bons tempos, os maus bem mais que os bons, mas como tudo, serviram de lição, de escudo para outros maus bocados que me venham bater à porta. Como se costuma dizer, o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Conheci aquele que seria o amor da minha vida, subi ao patamar do amor verdadeiro, após um longo e penoso caminho, que não me deixava acreditar que existisse tão sublime sentimento, julguei eu... não era, da parte dele. Fugiu, deixou-me à beira do precipício, que eu resolvi não saltar. Continuei em frente, mais madura, que pelo menos nisso ajudou esse amor, a tornar-me mulher, largando a gaiata que ainda persistia em viver o tempo todo em mim. A vida foi rolando, calma, com muita ocupação profissional, para manter a cabeça no lugar, sem devaneios de amores perdidos. Uma varicela, instalou-se de armas e bagagens durante quase duas semanas que pareceram dois meses, e eu que parecia ter passado num pelotão de fuzilamento. A imagem que ficou no espelho assustou-me, a roupa caía-me literalmente pelo traseiro abaixo, ricas férias fui arranjar, uma semana a trabalhar e duas de estaleiro. O meu não amor, resolve que por andar embarcado nos mares do norte, a solidão que o corrói pode ser diminuída se eu estiver ao lado dele. O amor é cego, e eu rendo-me, perdoo a sua fuga. As coisas são mornas, um mês em cada três ausente, não é tempo suficiente para a solidez de qualquer amor, muito menos quando se começam a instalar ecos de uma futura crise. Passo pelo desemprego, nuns meses, trabalho a recibos verdes noutros, compondo o tempo, desocupando a cabeça das saudades do amor embarcado nos mares do norte. Nunca perco o rumo, e encontro o norte à vida, arranjo emprego, tenho o meu amor, ainda que poucas vezes no ano. Dá para se fazerem planos, as ideias vão no sentido de partilhar mais que algumas noites nos meses em terra. Flutuo, o amor afinal é mesmo a minha praia. Os tempos no mar são conturbados, a crise apanha os barcos, o amor só pode sair reforçado com a permanência total em terra. O regresso definitivo é o primeiro passo para o futuro, que promete ser a dois, ou três, há uma criança de um amor anterior a mim, que eu adoro como se fosse minha. Não sei ler nas entrelinhas, não percebo meias palavras, nem sinais disfarçados, não entendo mesmo a linguagem dos homens, e no meio-termo entre passar-mos um fim de semana fora, as coisas ficam-se por um fim de semana sozinho, para uns contactos de emprego... provavelmente considera as relações amorosas como emprego, ficou por lá, com alguém que já andava nas entrelinhas que eu não soube ler e interpretar. Eu fui mesmo um não amor. O precipício desta vez, era bem mais fundo, o chamamento para saltar era forte, o não querer encarar a situação de frente também apelava a saltar para o precipício. A vida desmorona-se, a dor só é partilhada a meio, o outro meio que guardo para mim,  corrói-me a alma. Não deixo que alguém saiba o que realmente estou a passar. Após uns calmantes, levanto a cabeça e decido que tenho de reerguer-me das cinzas, sou eu que comando a vida que tenho, e tenho que passar a comandar o coração. Faço-me à vida, uma Fénix renasce das cinzas, o futuro está à minha frente e sou eu que decido que rumo quero dar-lhe. A guerra não está vencida, é preciso vencê-la batalha a batalha. Pés assentes no chão. A estabilidade profissional chega. Realizo o sonho da gaiata, que deixei lá atrás, quatro anos antes, e compro a tão desejada casa, para partilhar não com um amor, isso não entra no t1, mas com os gatos, que não falam por meias palavras, e não escrevem nada entrelinhas. Já não sou a Fénix, sou tão somente a dona das chaves do t1, que vive um dia de cada vez, que acredita no futuro, e que quando esse futuro permitir, se muda com os gatos para o t1, que é lá que é o próximo capítulo de mais 5 anos.

publicado por Dona das Chaves às 15:14
sinto-me:
música: One - U2

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Não deixas muito para dizer ..... gosto de tu..

Nunca te esqueças de uma coisa, somos o que já vivemos ...e o que não nos mata torna-nos sempre mais fortes.

Um enorme beijinho
Jorge

PS:Vou adicionar este no reader ... quero ler-te.
Jorge Soares a 23 de Agosto de 2011 às 23:14


Obrigado!
Eu sou dura na queda...
O blogue, por agora tem mais um autor, mas creio que anda por aqui uma peluda metediça que quer vir mandar bitaites. Vamos ver...
Bjks

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